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Serviço de Psicologia Cognitivo-Comportamental do Grupo de Apoio a Mulheres (GAM)

Cada Doido Com a Sua Mania (CDSM)

Apoio Psicológico ao Paciente Renal Crônico (PORTAS)

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Serviço de Psicologia Cognitivo-Comportamental do Grupo de Apoio a Mulheres (GAM)

Entrevista com o Prof. Dr. Elizeu Borloti

PET: O que é o GAM?
Prof. Elizeu:O GAM é um Grupo de Apoio a Mulheres funcionárias de hospitais públicos. Ele era um grupo social que já existia antes da gente chegar ao hospital e que já pensava em serviços que poderiam melhorar a qualidade de vida das mulheres. Um desses serviços pensados foi o serviço de psicologia, que utiliza estratégias da terapia de grupo, para produzir esse apoio e melhorar a qualidade de vida e a vitalidade dessas mulheres. A gente chegou e incrementou o GAM, que influenciou a ação das equipes de humanização dos hospitais.

PET: Quando foi criado o GAM?
Prof. Elizeu:No segundo semestre de 2004 e a intervenção da psicologia teve início no primeiro de 2005.

PET: Qual é a abordagem do projeto?
Prof. Elizeu: A abordagem é comportamental com estratégias também da terapia cognitiva.

PET: Quantos extensionistas fazem parte do GAM?
Prof. Elizeu: Vinte e três.

PET: Qual a contribuição do projeto para a sociedade?
Prof. Elizeu:É o primeiro projeto voltado para o servidor e não para o usuário dos hospitais ou do SUS, gerado pelo movimento social das servidoras. É uma população que tem sofrido muito, tanto no que diz respeito às condições de funcionamento do SUS, como da própria condição de gênero. Assim, a demanda de atendimento é enorme. Várias delas têm quadros de depressão e estresse que justificavam um tratamento mais intensivo. Elas têm visto uma diferença entre o nosso trabalho e o trabalho tradicional dos psicólogos dentro dos hospitais, pois esses geralmente são voltados para o atendimento individual dos usuários, que acaba tendo foco no passado e não consegue responder a essa demanda maior. Achamos que o grupo pode dar conta disso. Você pode atender mais pessoas em um tempo menor. Resultados qualitativos e quantitativos atestam a eficácia da intervenção.

PET: E para os extensionistas?
Prof. Elizeu: Eles são os mais indicados para falar. Um deles, por exemplo, fala que é o projeto que reúne todas as disciplinas em um só: desde a utilização de testes psicológicos, terapia individual, terapia de grupo, aconselhamento, grupos, contato com instituição, pesquisa, relações políticas (com diversos grupos sociais e a própria direção do hospital), a discussão do papel do psicólogo dentro de um hospital, até a questão das políticas de saúde pública, mental, de gênero... Temos enfrentado problemas que os alunos normalmente não vêem (e eu que fui aluno daqui sei que a gente esse tipo de problema... Em geral, os usuários do núcleo não tem esse perfil). Em termos de habilidade, é atender individualmente e em grupo; fazer acompanhamento terapêutico; aplicar e corrigir instrumentos; montar grupos a partir desse critério, utilizando esses instrumentos; planejar sessões de grupo; lidar com entraves da instituição, que às vezes impedem o trabalho - como o impedimento da utilização do auditório, por exemplo, quando os alunos precisaram contar com o apoio das equipes dentro do hospital para as negociações.

PET: Qual o critério para que os alunos possam ingressar no projeto?
Prof. Elizeu: A última seleção foi baseada numa entrevista que investigou disponibilidade, interesse e também o domínio técnico.

PET: E o que efetivamente os alunos fazem no projeto?
Prof. Elizeu: Eles assistem às sessões, observam o meu comportamento ao atender e discutem o porquê eu tive aquela conduta naquele momento. Aprendem por modelação e também na própria contingência, quando cada um exerce a função de terapeuta, co-terapeuta e de acompanhante terapêutico. Cada aluno é o “padrinho” ou a “madrinha” de uma das mulheres e tem a função de garantir a adesão ao tratamento e resolver os entraves fora da sessão, inclusive em sessões telefônicas. Eles são o primeiro vínculo, até muito mais forte do que o com próprio terapeuta, porque têm mais tempo com elas. Enquanto aguardamos a chegada de todo o grupo, os alunos fazem sessões breves de intervenção, sessões de aconselhamento em função do tipo de problema. Funcionamos como num rodízio. Há o grupo interno do círculo da terapia e um grupo externo de observadores de fora desse círculo que registram dados. As posições são ocupadas em função da experiência do aluno: em qual momento ele entrou no GAM e qual é o seu domínio técnico, o quanto ele sabe acerca do procedimento. Como é um trabalho estruturado em dezesseis sessões e cada sessão tem um objetivo, distribuímos as sessões em função das dificuldades dos alunos em função desse objetivo, pois julgamos que as habilidades necessárias para atingi-lo são mais ou menos difíceis. Fazemos uma escala de posições que é obedecida. Para ocupar a posição de terapeuta, o aluno tem que participar da supervisão imediatamente anterior à sessão e, se falta, é substituído por alguém que está disposto ou pode substituí-lo. Os alunos alinham-se por afinidade em duplas de terapeutas e co-terapeutas e aprendem a partir das observações das habilidades deles mesmos. Cada um se submete a quatro sessões, duas sessões na posição de terapeuta e duas na de co-terapeuta, e depois a dupla é invertida. Na sessão, os alunos podem falar livremente, mas não podem dominar ou ocupar o lugar do terapeuta designado. Julgamos que até metade do grupo de mulheres também deve fazer atendimento individual. Para isso, observamos a gravidade do caso, a característica do problema e se o grupo seria suficiente ou não para lidar com ele. Temos selecionado, assim, dois grupos: um grupo de casos graves, em que eu assumo a coordenação e a função de terapeuta circulante. Faço intervenções no momento que eu julgar propício e intervenho no que os alunos estão fazendo na minha presença, e na supervisão discutimos a minha ação. O outro grupo é auto-gerido pelos alunos, ou seja, conduzido por aqueles que já adquiriram experiência. Eles atuam sem a minha presença, sendo a supervisão, portanto, tradicional. É um grupo cujos escores no instrumento deram um nível moderado.

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Cada Doido Com a Sua Mania (CDSM)


A entrevista deste mês é com a psiquiatra e psicanalista Tânia Mara Alves Prates, coordenadora do Projeto de Extensão “Cada Doido com Sua Mania” (CDSM) desde 1984. Tânia Prates tem mestrado em Neurofisiologia pela Universidade de São Paulo (1980), doutorado em Psicofisiologia pela Universidade de São Paulo (1986) e pos-doutorado pela University of Pennsylvania (1980).

PET: O que é o CDSM?
Tânia Prates: O CDSM é um projeto de extensão da UFES e ele visa desenvolver a construção da noção de saúde mental, desde as noções de prevenção até as formas de tratamento. Também estamos envolvidos na pesquisa, na transmissão do saber e na contribuição para o desenvolvimento da saúde mental.

PET: Como surgiu o CDSM e como se deu a trajetória do Programa?
Tânia Prates: O CDSM iniciou em 1984 com um projeto de extensão chamado "Grupos Operativos" com pacientes psicóticos e era desenvolvido no Hospital Adauto Botelho, com pacientes internados. Em 1986, começamos a fazer oficinas de arte. E depois em 1992, criamos o projeto CDSM, porque quando fizemos os grupos operativos e os grupos de artes, vimos que aquilo que o paciente produzia trazia um grande benefício - havia uma melhora do seu quadro clínico. Era também uma forma de integrar as várias camadas da sociedade e de olhar a humanidade de uma outra maneira. Isso cria possibilidades de tratamento. Em 1995 saímos do Hospital Adauto Botelho e tínhamos o grande sonho de fazer oficinas terapêuticas para pacientes não internados, em instituições dia, em que o paciente pudesse passar o dia e manter contato com a família. Não havia ainda uma instituição desse tipo em Vitória, e nós criamos junto com a prefeitura o projeto do CAPS Ilha de Santa Maria que foi o primeiro CAPS de Vitória, criado em 1996. E lá continuamos desenvolvendo e adaptando a estrutura dia e as oficinas, sempre caminhando junto com o trabalho psicoterapêutico tanto do paciente quanto da família, e esse tem sido nosso carro-chefe: as oficinas terapêuticas, o trabalho com as famílias e o atendimento individual. Ficamos no CAPS Ilha de 1996 a 1999 e tínhamos uma vontade muito grande de levar essa experiência para uma instituição dentro da UFES. Agora estamos desenvolvendo o CACIA, que é o Centro de Atenção Continuada a Infância, ao Adolescente e ao Adulto.

PET: Como é o público atendido?
Tânia Prates: Não nos restringimos à psicose, temos também pacientes encaminhados pelos parceiros (a SAC, que encaminha a comunidade universitária e o HINSG, que encaminha crianças que procuram o serviço de emergência, mas que têm alguma intercorrência em Saúde Mental, dificuldade escolar, tentativa de suicídio, doença psicossomática, queimaduras, dificuldade com a imagem do corpo etc.). Atendemos todas as faixas etárias e os transtornos mentais que aparecem. Isso está sendo um grande aprendizado, porque a clínica ficou mais complexa e rica.

PET: Como é composta a equipe de trabalho?
Tânia Prates: Nesse momento temos cerca de 9 profissionais e 15 alunos que fazem parte do Programa. Todos aprendemos porque estamos sempre inventando coisas, arrumando soluções para as situações que se apresentam, tanto do ponto de vista institucional, quanto da pesquisa e da clínica, por isso se cria uma capacidade de aprendizagem muito grande. Os alunos que passaram pelo CDSM são capazes de atender crianças, adolescentes, adultos e discutir questões de saúde mental e da instituição em si. Os alunos são ativos e participantes, têm um projeto de trabalho, começam fazendo parte das oficinas. Os que estão chegando vão estudar e participar. Todo aluno tem um tutor (que é uma pessoa que o acompanha nas questões de aprendizagem e do desafio da clínica em saúde mental) e participa de um grupo de estudos. Procuramos abranger tanto a parte acadêmica quanto a vida mental do aluno que se inicia numa clínica tão complicada. Por outro lado, o aluno aprende, participa, ele não está sozinho quando chega, logo ele poderá participar do atendimento de família junto a uma pessoa mais experiente e depois poderá fazer o atendimento individual.

PET: Qual é a relevância do trabalho prestado pelo CDSM à comunidade?
Tânia Prates: Nosso trabalho tem importância por ser um programa da universidade e por preparar os alunos para o trabalho que eles vão fazer, com um olhar sobre a saúde publica. Essa experiência vai enriquecer não só sua atividade particular, mas sua inserção dentro da comunidade em geral. Os pilares que norteiam nosso trabalho se apóiam no desafio de alguma maneira trazer um campo de pensamento e saber sobre a alma humana. As oficinas terapêuticas são um dos pilares, assim como o atendimento individual e familiar; a Psicanálise é um dos eixos, mas não é o único porque a gente aceita uma pluralidade de formas de pensamento, inclusive de outras ciências e ideologias. Tentamos trabalhar de uma forma horizontalizada, para socializar e implicar as pessoas no trabalho e para tentar construir uma ética comum. Tentamos fazer um modelo em que o aluno possa adquirir essa vivência ao longo do trabalho.

PET: Como fazer para ingressar no programa?
Tânia Prates: Para ingressar, o aluno precisa querer trabalhar com Saúde Mental, querer trabalhar conosco, aceitamos alunos desde o primeiro período, pois o aluno é acompanhado, ele vai gradativamente aprendendo e desenvolvendo as ações sozinho; também aceitamos alunos de outros cursos, pois a loucura é uma questão de todos e todos os saberes têm a contribuir. O aluno que quer participar pode enviar uma carta de interesse para o e-mail cdsm@cdsm.ufes.br , dizendo por que quer entrar no programa e contendo telefone e/ou e-mail, para que a comissão de entrevista entre em contato.
O Projeto “Cada doido com sua mania” também está na internet. O site é http://www.cdsm.ufes.br

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Apoio Psicológico ao Paciente Renal Crônico (PORTAS)

A entrevista deste mês é com a psicóloga Rafaela Feijó dos Santos, supervisora do Projeto PORTAS. A coordenadora e idealizadora do projeto é a professora Kathy Amorim Marcondes, Psicoterapeuta Junguiana, pós-graduada em Mitologia e Arte, Mestre em Educação e Doutoranda em Saúde.

Para maiores informações sobre o PORTAS acesse www.portas.ufes.br.

PET: O que é o PORTAS?
Rafaela: O PORTAS é um projeto de extensão universitária que fornece apoio psicológico ao paciente renal crônico. Atuamos no Hospital da Associação de Servidores Públicos(cidade alta), no instituto de doenças renais, numa enfermaria de nefrologia. Trabalhamos com os pacientes durante a hemodiálise, com a abordagem de arte-terapia, prestando apoio psicológico aos pacientes.

PET: Quando foi criado o PORTAS?
Rafaela: O PORTAS foi criado pela professora Kathy em 1995. No início, trabalhavámos com crianças somente. Hoje, atendemos pessoas das mais variadas idades, de crianças a idosos.

PET:  Qual a abordagem do projeto?
Rafaela: Trabalhamos com um referencial Junguiano e também com as técnicas e teorias da arte-terapia.

PET: Quantos extensionistas fazem parte do projeto?
Rafaela: Dezoito extensionistas.

PET: Qual a contribuição do projeto para a sociedade?
Rafaela: O projeto contribui para a sociedade na medida em que deixa melhor os pacientes, que são cidadãos, por ajudá-los a buscarem qualidade de vida, além de seus direitos também fora do hospital. A aposta de promover o desenvolvimento da auto-estima é promover cidadãos atuantes. Então, se eles estão bem psicologicamente, eles estão bem para atuar na sociedade. Por exemplo, no ano passado fizemos um projeto trabalhando a questão das eleições, incentivando os pacientes a votar, falando sobre a importância do voto, as funções dos representantes que eles iriam eleger. Atualmente, nós estamos com um projeto de Direito, prestando assessoria jurídica aos pacientes, em parceria com a FDV. Pessoalmente, acho que este projeto tem contribuído bastante, na medida em que dá condições a esses pacientes a atuar não só dentro do hospital, mas também fora .

PET: Qual a contribuição para os extensionistas?
Rafaela: Acredito que seja a questão do aprendizado mesmo, de ver na prática, de ter que atuar, responder a pessoas que apresentam questões, demandas. Além da questão do aprendizado em geral, sobre o fazer da psicologia, aprendem sobre o Jung. Na UFES parece que esta matéria não existe mais ou ficou um pouco defasada e, no PORTAS, promovemos um grupo de estudos. Ajudamos nesta parte teórica e prática na formação dos nossos futuros psicólogos.

PET: Quais os critérios para que os alunos possam ingressar no PORTAS?
Rafaela: Antigamente, os alunos precisavam ter cursado o quarto período, pois tinham a matéria de Jung. Esta fornecia um referencial teórico básico para os extensionistas que iriam entrar. Embora esta matéria não esteja sendo ministrada, permanecemos com este critério, porque achamos que nessa fase da Universidade o aluno já possui maturidade básica para ingressar no projeto. Além disso, até o quarto período algumas matérias acabam prendendo muito esses alunos. Outro critério é ter horários disponíveis para estar no hospital e na supervisão.

PET: O que os alunos fazem efetivamente no projeto?
Rafaela: Fazem quase tudo, pois a minha atividade, na verdade, é supervisionar. Assim, eles realizam oficinas com os pacientes, fazem atendimentos do cotidiano, atuam com questões que os pacientes levantam, entre outras coisas. As questões mais graves, tipo depressão, que demandam um atendimento mais contínuo, acabam vindo para mim, que sou psicóloga do serviço. Então a minha função acaba sendo supervisionar e dar condições para eles trabalharem, mas os extensionistas é que “põem a mão na massa”, programando as oficinas para que os projetos temáticos funcionem.

 

 

 

 

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