Psicologia no Ensino Médio
Um movimento no meio Psi agita os trâmites políticos no Brasil
Um movimento no meio Psi agita os trâmites políticos do Brasil. Trata-se de uma luta que tem aglutinado várias entidades da Psicologia do país – CFP (Conselho Federal de Psicologia), ABEP (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia), ABRAPEE (Associação Brasileira de Psicologia Educacional e Escolar) e o FENPB (Fórum das Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira) – em favor da inclusão da Psicologia na grade curricular do Ensino Médio.
A Psicologia, junto com a Filosofia e a Sociologia já fizeram parte do Ensino Médio durante um bom tempo. Até que no período da ditadura militar, no governo Geisel, foi instituída em 11 de agosto de 1971a Lei Federal 5.692 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – que excluiu essas disciplinas do ensino público.
Na década de 80, já no declínio da ditadura militar, em São Paulo, o CRP, a Associação dos Sociólogos do Estado de São Paulo – ASESP – e um grupo de filósofos se aproximaram na formação de um movimento em prol do retorno dessas das três disciplinas para o segundo grau. Uma parceria com um órgão da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, a Coordenadoria de Ensino Pedagógico, [CENP] foi construída afim de que a uma nova perspectiva para a Psicologia fosse construída na educação.
Em 18 de outubro de 1982, no governo de Figueiredo, a Lei Federal 7.044 alterou dispositivos da lei anterior e a Psicologia retornou ao Ensino Médio, só que não como disciplina obrigatória. Porém, em 1996, no governo FHC, a LDB excluiu novamente a Psicologia do Ensino Médio. (fonte: http://www.crpsp.org.br).
Agora a luta pelo retorno da Psicologia às salas de aula do Ensino Médio volta a ganhar destaque no cenário nacional com uma campanha que defende 8 boas razões de a Psicologia atuar junto à formação do cidadão:
Veja as razões da Psicologia para formação do cidadão no Ensino Médio
1 - A Psicologia, enquanto ciência, apresenta um conjunto de teorias e estudos contemporâneos voltados para uma formação humanizadora do jovem.
2 - Os estudos da Psicologia permitem uma relevante leitura das relações sociais e culturais na constituição dos sujeitos sociais.
3 - A Psicologia possibilita que o jovem compreenda os fatores constitutivos da subjetividade humana, do desenvolvimento da personalidade, da vida comunitária e das novas organizações familiares.
4 - A Psicologia tem contribuições específicas a dar como disciplina ao discutir temas como direitos humanos, humilhação social, preconceitos, processos de desenvolvimento e da aprendizagem.
5 - A Psicologia utiliza-se de metodologias interativas e compreensivas de maneira a permitir que os conteúdos tenham sentido e significado para o aluno que deles se apropria.
6 - A Psicologia possibilita o uso de estratégias de aprendizagem e de auto-monitoramento do estudo cujo objetivo é o desenvolvimento de autonomia e da aprendizagem auto-regulada.
7 - O número de professores licenciados no Brasil, habilitados para ministrar a Psicologia, é suficiente para atender à demanda das escolas de Ensino Médio do País.
8 - A Psicologia contribui de forma direta para a concretização dos objetivos do ensino médio estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-LDB favorecendo a construção de sujeitos autônomos e democráticos.
Fonte: www.pol.org.br
É interessante que nós pensemos na seriedade dessa luta. Principalmente no papel que poderia caber à Psicologia na formação cidadã. Sabemos que durante um bom tempo de sua história a Psicologia serviu aos interesses burgueses de dominação do Estado atuando num papel de “ortopedista social”, diagnosticando e estigmatizando camadas sociais ignoradas pelo Poder Público. Por isso é interessante refletirmos em qual papel será o da Psicologia no Ensino Médio na contemporaneidade.